sexta-feira, 16 de novembro de 2012

No cais desta vida....


Levanto âncoras de pés virgens 
de estradas e rumos,
cravados ao chão perderam horizontes, tempos e rimas.
Não viram zarparem 
os navios carregados de gentes
e de esperanças que se foram,
embaladas em adeuses sem retornos.

No cais desta vida,
sou a lânguida e última fornalha acessa,
insisto em ficar acordado,
incandescente e alerta,
à espera do barco,
da lenha,
do sussurro no ouvido,
das mãos bailarinas deslizando
nas curvas suaves do gozo de ter-te.

Moisés Augusto Gonçalves, in ruas vazias de gente

8 comentários:

Carlos Augusto Pereyra Martínez disse...

Metafórico de la vida misma: ese barco que lleva y trae, cargamentos de felicidades o aprensiones. Un abrazo. Carlos

Ari disse...

Âncoras de vida, muitas vezes se arrastava.

Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...

Quem sabe as águas devolverão os desejos que animam o seu canto-grito?

Moisés Augusto Gonçalves disse...

...E o arremessarão de volta às profundezas do oceano...

Ana Bailune disse...

Boa tarde! Obrigada por seguir meu blog. Senti muita beleza e lirismo em seus poemas. Adorei, e já estou seguindo você.

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Ana,

É uma alegria tê-la em meus
jardins...

Márden Moreira de Carvalho.... disse...

É hora de zarpar, meu caro.

Sensibilidade a navegar com poesias disse...

Parabéns pelo belo espaço, pelos seus escritos...me visite...Bom dia