sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tantos...


Tenho tantos nãos a proclamar, tanta recusa;
tantos sins me fazem fogo e a vida é curta.
Trago víboras no peito e seu veneno rasga,
páginas escritas com tintas de morte.

Anti-heróis cambaleantes se apossam de mim.
Vejo putas peitudas gemendo grana,
bundas tesudas clamando carícias
e orgasmos sonâmbulos em noites de porre,
copulando vadios com sombras e corpos.

Peitos sedentos perseguem lábios carnudos
e o leite – que ausente – matou a criança.
E as tetas e falos e as mãos atrevidas
e o âmago fundido com meus nãos e meus sins
em barras de aço...

Moisés Augusto Gonçalves, in ruas vazias de gente

8 comentários:

Guaraciaba Perides disse...

Entre tantos nãos e tantos sins...o desalento!que seja apenas
reflexao poética! André Gide escreveu em seu livro "se o grão não morre" "para quem nada espera tudo o que vier é grato" e a felicidade pode estar ali mesmo no acaso de se virar uma esquina.Quem sabe, o talvez seja o caminho entre o sim e o não.Um abraço

Índigo disse...

Pero el fuego se niega a aceptar el no. Y el no huye, despavorido, a ratitos pequeños. Y el viento sopla y el fuego no amaina y el no ya no sabe donde colocar su manto quemado. No. Y el fuego susurra: no.

Moisés Augusto Gonçalves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...

Que intensidade!

Andradarte disse...

Belo poema....'Tesudo' como
se impunha....
Abraço

Graça Pereira disse...

Um poema onde a vida se insinua por tantos nãos e sins... Gostei.
Abraço
Graça

Moisés Augusto Gonçalves disse...

A presença e comentários de vocês
é um grande estímulo!
Grato!

Márden Moreira de Carvalho.... disse...

Poema fortíssimo. Gostei!