sexta-feira, 31 de agosto de 2012


A indiferença se aproximou muitas vezes 
    com sua sedução e náuseas a tira-colo.
Com seus apelos em dó maior,
promessas de vida longa e um estampido.

Não freqüentei seus bordéis de virgens
defloradas na tarde da última chacina.
Desconfiei sempre das alianças e acordos
tramados na calada da noite e das gentes.

Conspiro sempre contra a ordem
e sua produção de mortes cotidianas.
Incorporei deuses e demônios em minhas andanças.
Vivi infernos e paraísos,
pois é deles é de que é feita a vida.
Momentos.
Hic et nunc, aqui e agora.

O canto da sereia ofereceu inúmeras vezes
oceanos de paz e o exílio das tormentas;
Atalho entre caminhos inóspitos,
lutas sem créditos e dúvidas.

Não me refugiei na mudez que consente.
Meus lábios brandem recusas.
Bobo da corte, profanei tronos,
zombei das majestades e sua pompa.

Continuo fazendo chacota dos rituais do poder,
seus mitos e imaginários.
Desafino o coral de ostentações
que o acompanha e sua imponência.
Exilei a indiferença.

Tomei posições incômodas
 ao colocar o dedo em muitas feridas,
ao desacatar autoridades.
Sangraram em mim os rótulos e estigmas.
Fiz-me encouraçado.
Persona non grata.
Estrangeiro em meu torrão natal,
 mapa de exílios.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

8 comentários:

Eloah disse...

As vezes também nos sentimos estrangeiros neste mundo contraditório e repleto de incertezas e inquietudes.Estrangeiros, ou não, a vida segue.Lindo teu poema.
Bom final de semana.Abraços Eloah

Guaraciaba Perides disse...

São muitos sonhos,são muitas lutas.e como disse Guevara "hay que endurecer más perder la ternura,
jamás" .
m abraço

Carlos Augusto Pereyra Martínez disse...

Poema de desacralizaciones, itinerante de la vida en el riesgo de los lupanares...dejo amargo...hecho verso. Un abrazo. Carlos

Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...

Um poema corajoso e atrevido.

Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...
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Moisés Augusto Gonçalves disse...

Escrito com o suor do rosto e os suspiros do coração. Valeu a pena!

Mary disse...

Olá Moisés!
desabafo de quem viveu dias de alegrias, e dias de dores.

bjos, agradecendo por se tornar meu seguidor.

Verinha Portella disse...

"DESAFINO O CORAL DE OSTENTAÇÕES"
Maravilha de texto..Poeta!

Adorei te ler...

Parabens pela sensibilidade.
Abraços
vera portella