sexta-feira, 20 de abril de 2012


Foto: Pierre Verger
Não mais que uma palavra e quase tudo se dissipa:
o vermelho escarlate das vaidades,
a tolice dos que se atolaram na mesmice,
a mecha rascunhada de preto no desenho do suicida.

De quebra,
o triunfo fugaz dos demagogos,
as promessas decantadas nos palanques,
a sordidez dos palácios e suas armadilhas,
o vazio do vazio que nada acrescenta
a não ser mais vazio...

O que fica?
A força da palavra suspensa sobre colunas de perguntas,
pronunciada sem parcimônias no dia das proibições,
persona non grata - de tão atrevida -,
seta certeira que atinge tendões de Aquiles
e flutua serena nas águas do mar que não se sabe morto.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos Impertinentes

7 comentários:

Berzé disse...

Ela vem! A velha senhora vem. Com foice ou sem. Ela vem.
Abração Moisés!
Berzé

hesseherre disse...

MUITA FORÇA E VERDADE - DURA- MAS VERDADE NO TEU DIZER.IMAGENS QUE SOTERRAM QUALQUER CRÍTICA, A TUA POESIA ERGUE E DESENHA TUAS PRÓPRIAS IMAGENS...(AUGUSTO DOS ANJOS MANDA-TE UM ABRAÇO DO FUNDO DA SUA COVA).

Guaraciaba Perides disse...

Segundo Tom Zé um dia a Felicidade vai cair sobre os Homens.Quem sabe um dia a "Oração aos Moços" de Rui Barbosa seja uma oração datada históricamente.
O seu poema tem muitas leituras.Procurei o viés político.
Gostei!
Um abraço








S

Lapislazuli disse...

Cuanta verdad y actualidad en tus letras
Un brazo

Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...

Belo poema!

Moisés Augusto Gonçalves disse...

O grito...!

POETA DOS POETAS disse...

PERFEITO BLOG , FOTOS , A MAGIA CONTMINANDO A ALMA