sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Seletos e seletas...

Imagem: Olbinski

Os contados nos dedos são amigos.
Anéis que compõem minhas digitais,
menestréis de minha alegria,
rimas de meu verso sem rimas esculpidas.
Faróis de minhas noites de mares bravios
e da sofreguidão de minha inquietude.

Eu que vivi naufrágios e conquistas,
aportei muitos cais, zarpei sem demoras.
Bailei ao som de Mozart e Engenheiros do Hawaí,
de Clementina de Jesus e Cazuza.

Na soleira da porta, aguardo um telegrama
O amor se foi, deixando um rastro iluminado
de saudades que insistiram em ficar
e sua pose nua,  envolta em gelo seco.
Calejado pela vida,
rompi certezas e embalagens coloridas.

Tranquei a sete chaves
meu baú de rótulos prontos e tabelados.
Devolvo ao vento as pedras
que me atiraram e seus estilhaços.
Ninguém é meu alvo ou todo mundo.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

11 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Um poema que além da beleza tem muita originalidade nos versos.Parabéns poeta.

Eva Gonçalves disse...

Original... :) Beijo

Cildemer disse...

Lindíssimo poema! Gostei imenso!

***
Obrigada pela partilha e feliz fim de semana***

Art disse...

This was a beautiful picture and a lovely poem!

MARILENE disse...

Nem poderia dizer "simplesmente, belo", porque trabalhou e adequou aos versos palavras difíceis de se colocar em tal contexto.
Parabéns!

Bjs.

Carmen disse...

Cada uno de tus poemas demuestra un enorme trabajo en su composición. Esta vez sí he encontrado dificultad en los últimos versos, Moisés, pero no por ello me quedo sin la esencia de tu escrito.
Bien dice Marilene, que no se puede decir "simplemente bello", ella misma lo ha explicado muy bien.

Me gusta como escribes, Moisés.

¡Biquiños!

Carmen.

Moisés Augusto Gonçalves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Márden Moreira de Carvalho disse...

um belo poema,palavras rasgadas com laminas afiadas e com sua mente de mestre..
parabéns..

Lapislazuli disse...

Aunque con dificultad, te leo en tu idioma, asi puede apreciar la esencia del poema. Pefrmiteme ser reiterativa: Original. Un abrazo

Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...

Realmente, são contados nos dedos...Os amigos.
Belo poema!

Alexandra disse...

Belíssimo este seu poema!

Um beijo.