sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fragmento XXX

Como a águia aos 40,
faço opção por mais algumas décadas.
Por isso, ocupo desertos estranhos.
Na caverna erma e fria ,
arranco pedaços de mim
e os refaço sem escrúpulos.

É meu esse tronco quase retorcido,
de casca grossa, chamado corpo.
Beijado por lábios ternos
e porradas muitas,
comido por muitas fomes,
celeiro de carícias e buscas tantas...

É minha, toda minha, Oh, gentes!
Essa carcaça-fortaleza de labutas incontáveis,
forjada nas lutas.
Essas muralhas vestidas de festa,
entrecortadas pelo (en-)canto da sereia
e viúvas em dia de finados.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

11 comentários:

Lady Jo disse...

merci, c'est très beau , j'adore l'image !
belle journée

M. disse...

Gosto de te ler. Tens uma marca pessoal. Não te valerá de muito o elogio mas...

Wellington Lima disse...

Muito bom! Eu adoro metáfora!! ^_^

http://wlquartoescuro.blogspot.com

Will disse...

Belíssia a forma como poetisaste o renascimento da águia.
De uma sagacidade ímpar.
Abraço e um ótimo final de semana!

LUCONI disse...

Bela analogia poeta, você tem um talento ímpar, muito bom sempre vir aqui, beijos Luconi

Márden Moreira de Carvalho disse...

Muitas décadas ainda, meu caro!

O que Cintila em Mim disse...

Oh que delícia de ler!

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Grato pelos comentários e vamos em frente...

ELIZABETH DE LIMA VENÂNCIO disse...

A fábula da águia é uma verdade que nos apanha de surpresa, afinal dilacerar a carne e renovar requer muita disposição.
parabéns!! bom texto.

um abraço.

beth

J Bar disse...

Amazing art.
Sydney - City and Suburbs

Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...

Período da maturidade.