sexta-feira, 10 de junho de 2011

Minhas armaduras de certezas
e palavras de ordem ficaram obsoletas.
Aposento modelos e figurinos
que outrora explicavam o céu e a terra.

Os cenários do agora pedem roupagem nova
e personagem astuto.
Esvazio dispensas e prateleiras,
é dia de faxina geral.

Muitas das novidades que festejei
são peças de museu a falar de outros tempos.
Acumulei muitas dúvidas ao tocar a vida
e consultar meu travesseiro de macela e alecrim.

Pertenço ao seleto grupo
dos que ainda estão a esperar a hora da partida,
chorando a ausência dos que já se foram,
de malas prontas, insistindo em ficar.

Minhas sandálias estão largadas no canto do quarto,
chamando meus pés.
Tenho os pulmões inflados de fôlegos lânguidos,
esfumaçados de vícios.
Uma teimosia insistente a arrastar-me todo,
antes que a noite chegue...

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

7 comentários:

MARILENE disse...

Não se chora a hora da partida quando ela não está definida. Vai-se vivendo, vai-se plantando e colhendo, ainda que sem calçar os chinelos jogados perto da cama.

Arnoldo Pimentel disse...

Mudanças serão sempre necessárias. Belo poema, parabéns.

floweringmama disse...

Beautiful.

Carmen disse...

Los que se fueron no están si no es dentro de nosotros, de nuestros corazones. Y nosotros no podemos pasarnos el tiempo esperando el momento de partir. Ya llegará ese momento; mientras tanto, hay que seguir adelante cada minuto, cada segundo.

Ya había estado por tu blog, leyendo. No he querido escribir hasta ahora... en que por fin he abierto mi blog y en él inscribiré el tuyo para seguirlo y tenerlo siempre cerca.

Un saludo.

Cibis disse...

Toda forma de reconhecimento
oferecido a um blogueiro é sempre
bem vinda. Então, compartilho com você o presente recebido.
Espero sua visita para buscar seu Selo.

abraços!

Art disse...

Wow - that's amazing.

Márden Moreira de Carvalho disse...

Vou de encontro às sandálias que chamam meus pés!