segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fragmento XXI

Imagem: Olbinski

São páginas viradas meus erros,
percalços e os nãos
que trazem meu endosso.
O silêncio que não foi palavra,
a palavra que refugiou-se na mudez.

Resta-me a lição:
um não faria outra vez,
a cabeça erguida,
o passo em frente.
Mesmo assim,
amanheço todos os dias
embalado no adeus das madrugadas;
ressaqueado de cigarros,
enfastiado do cheiro das guimbas mau-fumadas,
mergulhado em minhas viagens matinais,
nos restos da noite que ficaram na cama.

Continua pendurada no cabide
a camisa cor-de-abóbora
que vesti à meia-noite.
Guardo da décima quinta lua-de-mel
a magia do colo
em que repousei meus cansaços.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

7 comentários:

Paulo Francisco disse...

Zerar! zerar tudo e começar de novo.
Difícil, mas não impossível
Um abraço

MOISÉS POETA disse...

Grande poeta , Moisés !
grande tambem é a sua poesia...!

um abraço !

Guaraciaba Perides disse...

O percurso da vida em sua busca incessante... como dizia Drummond :"de tudo resta um pouco"
Um abraço.

Berzé disse...

Sempre bom!
Berzé

Bi@nc@ disse...

Até que enfim achei seu blog!!
Sucesso Catatau... fé em Deus e pé na tábua!!! bjao

ॐ Shirley ॐ disse...

Gostei do poema, principalmente dos restos da noite que ficaram na cama. ABRAÇOS!

Elisângela tomáz disse...

Oi vim retribuir a visitinha seja bem vindo ao meu meu ciclo de amigos e vc é mais um pedacinho de luz no meu blog bjs...