quinta-feira, 7 de abril de 2011

Imagem: Magritte

Tem apenas uma letra
o grito que irrompe de meu âmago:
a que escreve todos os nomes,
navega mares revoltos,
rascunha o começo das cartas de amor
e os rituais de condolências;
a que assina de esperanças o choro do nascituro
e suas promessas de futuro.

Aquela mesma,
testemunha dos gemidos dos amantes
e de seus corpos molhados de quero-mais;
 a que acompanha sentada no encosto da vida,
o suspiro das faces pálidas de despedidas
e suas saudades largadas ao vento,
poeira com sabor de não-se-vá,
indagação lasciva do pra-onde-vou...

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

9 comentários:

Paulo Francisco disse...

poeira com sabor de não-se-vá,
indagação lasciva do pra-onde-vou...

UM ABRAÇO!

Luís Coelho disse...

Esse grito que todos conhecemos mas que cada um sente e vive individualmente.

Poeira perdida no tempo
Amor que queremos sem datas

Berzé disse...

Amigo Moisés,
Intenso como sempre.
Já mandei(faz um tempo) meu telefone por seus endereços. Repito: 031 3653 7002.
Mande-me o seu.
Abração!
Berzé

Guaraciaba Perides disse...

Todos procuram esta palavra ancestral desde sempre ...Deus em todas as línguas que também pode ser chamada de Vida ou...e por aí vamos...
Um abraço

Tania regina Contreiras disse...

Tem apenas uma letra
o grito que irrompe de meu âmago...

E a letra se metamorfoseia e envolve e encanta: belo poema, menino!!!
abraços,

ANGEL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ANGEL disse...

Um breve adeus... A poeira realmente com um sabor de não se vá!

BFS! Beijosss

Silvio Carreiro disse...

caramba! eu já desconfiava que poesia era coisa séria, e que poetas, haveriam os que a ela servissem. Bem, que honra que me brindastes com a chance de vir aqui.

Nenzito (José Maria Gonçalves) disse...

Poeira com sabor de "não-se-vá". Lindo!