terça-feira, 15 de março de 2011

Imagem: Olbinski

Os contados nos dedos, são amigos.
Anéis que compõem minhas digitais,
menestréis de minha alegria,
rimas de meu verso sem rimas esculpidas.
Faróis de minhas noites de mares bravios
e da sofreguidão de minha inquietude.

Eu que vivi naufrágios e conquistas,
aportei muitos cais, 
zarpei sem demoras.
Bailei ao som de Mozart e Engenheiros do Hawaí,
de Clementina de Jesus e Cazuza.

Na soleira da porta, 
aguardo um telegrama.
O amor se foi, 
deixando um rastro iluminado
de saudades que insistiram em ficar
e sua pose nua,
 envolta em gelo seco.
Calejado pela vida,
rompi certezas e embalagens coloridas.

Tranquei a sete chaves
meu baú de rótulos prontos e tabelados.
Devolvo ao vento as pedras
que me atiraram e seus estilhaços.
Ninguém é meu alvo ou todo mundo.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

4 comentários:

R.B.Côvo disse...

Gostei mesmo. Abraço.

Bruno JP Teixeira disse...

ADOREI... PRINCIPALMENTE A IMAGEM... HEHE

ABRÇS.
BRUNO JP TEIXEIRA - O PORTUGA
http://brunojpteixeira.blogspot.com/

maria disse...

Olá!!vim passear ao teu blog, andar por aqui é um prazer.

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Seja bem-vinda, minha querida Maria!
Os jardins são nossos!