terça-feira, 8 de março de 2011


Chove.
O cerrado dá um largo sorriso,
do tamanho da poeira encharcada,
do tamanho da garganta das grutas e sedes,
embebidas de cristais.

É festa no arrozal da várzea.
Na beira-linha,
repousa dormente o olhar triste de Maria
- a Raimunda -,
 à espera de Francisco que se foi.
Suas lágrimas se confundem com a chuva...

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos Impertinentes
Cordisburgo, MG
Brasil/2011

Imagem: http://www.flickr.com/photos/c0lo/favorites/page2/?view=lg

7 comentários:

AC Rangel disse...

O cerrado, como se gente fosse,
ou como deveria ser,
tem sede.
De água e de festas:
no arrozal da várzea e
em nossos corações...
Lágrimas?
Não só nos olhos de Raimunda,
a Maria,
Mas também nos do céu.
O cerrado, afinal,
tem sede.

Plenitude do Ser disse...

O Dom das Palavras já está com a promoção do sorteio do seu livro "ruas vazias de gente"!!!

Convido a todos os seus admiradores e leitores a participar!!!

Abraços e obrigada!!!

tossan® disse...

Bom demais. Poesia Pura! Um poeta sem dúvida e dos bons. Abraço

Colí disse...

Muito boa sua poesia como disse Confúcio:
"A educação do humano deve começar pela poesia, ser fortificada pela conduta justa e consumar-se na música."
Obrigado por me achar

Shirley disse...

Poema bonito, Moisés, como todos os outros poemas inspirados que voce faz...beijo.

Berzé disse...

Moisés,
bebo em suas fontes. Ägua boa!
Abração!
Berzé

Anônimo disse...

Lindo lindo lindo