sábado, 1 de janeiro de 2011

Fragmento XXXV

Meus barracos de madeira e suas estacas
ainda resistem aos cupins e rachaduras.
Um naco de pão testemunha a dispensa vazia.
Corroído por dentro,
mantém a formosura das aparências.

Ignoro a regra trinta e três do manual de conduta
e todas as outras.
Na cela de minhas paixões,
aguardo o raio do sol
anunciar o dia.

Minhas têmporas ameaçam explodir
no dia santo de guarda
à porta do palácio cercado de grades,
pompas, hipocrisias
e gente faminta.
Permaneço lôbo da estepe
a escalar montanhas mágicas.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

3 comentários:

OZNA-OZNA disse...

esta asturiana te desea ¡¡feliz 2011¡¡ te manda un besin y te da las gracias por compartir tan bello texto.

Luís Coelho disse...

Um poema muito original e com muita oportunidade.
" Na cela das minhas paixões "

Lua Nova disse...

Vivemos todos presos na cela das nossas paixões e ao mesmo tempo vagando, atormentados lobos da estepe. Esse livro foi muito marcante pra mim.
Beijokas.