terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Não sabia por quantas fomes tinha sido comido;
quantas auroras não viu, entorpecido.
Apenas que foram muitas.

Fazia tempo que não saboreava um texto
escrito à tinta e coração.
Que não tocava faces sem as rugas das mãos
lapidadas pelo tempo.
Fazia muito, muito tempo...

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

2 comentários:

Guaraciaba Perides disse...

o seu texto me fez lembrar do meu tempde estudante quando frequentava a Biblioteca Municipal Mário de Andrade aqui no centro de são Paulo... Um senhor , já bem idoso, ficava sentado junto à escaderia da entrada, escrevendo com lápis folhas e folhas de papel que depois enrolava e colocava nos bolsos de seu paletó. Parecia estrangeiro e não olhava para ninguém... só escrevia. Nós ficávamos pensando o que de memória poderia estar escrevendo aquela pessoa tão solitária ,numa cidade ou quem sabe, num país estranho.O que lhe passava pela mente...nunca houve possibilidade de saber!

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Minha querida Guaraciaba,

Certamente aquele senhor registrava grandes segredos...grandes tão grandes que o coração era pequeno demais para guardá-los...