domingo, 12 de dezembro de 2010

Fragmento XXIX


Uma vida é pouco e é só ela que tenho...
em vasos de barro.
Meu prazo de validade esvai-se aos poucos
na névoa densa do tempo.

Deixo rascunhado este ante-penúltimo poema
na tela da máquina, sem senha de entrada.
Não posso perdê-lo, síntese de mim, 
palavra possível, narrativa sem peias.

Talvez alguém o visite
e me encontre adormecido
nas entrelinhas e pingos nos is.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

5 comentários:

Guaraciaba Perides disse...

Vamos sorver o líquido do vaso até a última gota.Um abraço!

Pedro Du Bois disse...

Caro Moisés, seus "Fragmentos", nada impertinentes, diga-se, traduzem na efemeridade e nossa necessidade de permanência: essa a graça, não? Excelente construção e figuras. Abraços, Pedro.

Margareth disse...

Querido Moisés,
gostei do poema simples na forma, complexo no tom meio de alerta: Carpen Die...
Beijos...

margareth disse...

Margareth disse...

Querido Moisés,
gostei do poema simples na forma, complexo no tom meio de alerta: Carpen Die...
Beijos...

14 de dezembro de 2010 09:00

Histórias e Versos disse...

Lindo. Lindo. Está uma pérola, poeta. Parabéns.