terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fragmento XIII

Imagem: Magritte

A promessa pro santo já não fere os joelhos.
As novenas já não rezam améns lacrimosos
ao som de Gounot e suas ave-marias.

Não expus no balcão dos negócios
o melhor de mim mesmo
 - a nobreza d’alma -,
atravessada ao meio pelo dardo
flamejante da fraternidade cósmica.

Coloquei cortinas em vitrines de meu íntimo,
decoradas de segredos.
Tranquei muitas portas, 
abri outras tantas.
Fiquei à espreita na fresta da janela.

Narciso afogou-se incontáveis vezes nos rios
de minha lida cotidiana.
Nos cacos espelhados, 
ressurgiu outras tantas,
vulcão ensimesmado nos outros.
Alter erguendo a morada dos homens
e de tudo o que respira.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

2 comentários:

Guaraciaba Perides disse...

Não implorei...não me vendi...me resguardei...me conheci.Parabéns!

ana disse...

Primeiro, venho agradecer por seguir o meu blogue.
Segundo,gostei muito deste poema "impertinente".

Magritte uma boa escolha!
Boa tarde!
Ana