terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cidadão dos mundos...

Carrega no alforje da vida muitas sementes,
páginas em branco no caderno de memórias
- outras tantas rasgadas nas bordas,
outras muitas rasgadas ao meio -,
um pedaço de fruta mordida de véspera,
um catálogo de nomes escritos até à primeira letra.
Maiúsculas. Em negrito solo.
De que não se sabe quem.
Fortes! Como cabe aos partem, insistindo em ficar.
Imagem: National Geografic 

Homem de uma nota só e muitos tons,
possuído pela magia célere dos pássaros,
dos amores des(re-)feitos,
das incógnitas do daqui-a-pouco,
da terra pisada com pés de pluma,
ninada no colo com cantos de mãe.
Imagem: Anne Geddés
 
Parto doloroso do quero-mais
das alegrias de visita breve,
da descoberta mostrando a cabeça,
por detrás da montanha de papel machê.
Encontro marcado aos pés do ipê amarelo,
tez desnuda,
escaldada pelo sol das tardes que se repetem.
Fardo de muitas labutas e encantamentos.
Penduradas no peito,
medalhas conquistadas no campo de batalha
contra a penúltima fome e suas primas,
as estátuas do medo plantadas na curva da estrada.
Saudades do abraço de não-se-sabe-quando,
mágoas com barba por fazer,
botões em flor aguardando o primeiro raio de sol.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

2 comentários:

Fernando Santos disse...

... me vejo sendo um "Cidadão dos mundos", no qual, não me vejo sendo apenas de um lugar ! Não consigo me prender e ficar por ficar somente, é preciso andar... fico a espera de mais luas :)

abração, se cuida e saudades pai Catatau.

João Bosco Maia disse...

Vagando nessas tantas ruas virtuais, encontrei tua porta de amante das Letras aberta - e entrei. Devo anunciar-me como um desses que diz "Oi, de casa! Trago aqui em minhas mãos a chave para dias melhores: escrevo e vendo livros!". Assim, venho te convidar para visitar o meu blog e conhecer as sinopses de meus romances, a forma de adquiri-los e, posteriormente, discuti-los. Três deles estão disponíveis inclusive para serem baixados “de grátis”, em formato PDF.
Um grande abraço literário,

João Bosco Maia