domingo, 17 de outubro de 2010

Imagem: Anne Geddés

Restauro forças exauridas pelas privações
e abusos da caminhada.
Dirijo o olhar para a relva do campo
que atapeta meu peito...
e nasce uma flor.
Arranco as pétalas da poeira do tempo
e a ferrugem das coisas.
Minhas expectativas estão deitadas em leitos diurnos,
`a espera da lua.
Imagem: Anne Geddés

Tenho as vidraças trincadas de pedras,
atiradas pela louca da esquina.
Na testa franzida e nos ombros, carrego o peso do mundo.
Um pé de galinha ensaia seu ninho perto do olho esquerdo.

Sou um olhar voltado pra mim,
arremessado ao longe, feito coração.
Lança afiada rasgando o peito.
Amante da festa,
do encontro,
da justiça e de homens.
Pego as estrelas que se apagaram sem aviso prévio.
Ainda há luz,
mesmo que seja na solidão das lembranças.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

2 comentários:

Marcos Vinícius disse...

Pego as estrelas que se apagaram sem aviso prévio.
Ainda há luz,
mesmo que seja na solidão das lembranças.

Cara, isto realmente é muito lindo. Mais uma vez, nos proporcionndo a certeza de um talento nato.Tocante.

Abraços fraternos

Cleilton F. Vieira disse...

"Um pé de galinha ensaia seu ninho perto do olho esquerdo"

Pois é mesmo assim Moises, é a vida e pra esta marca trazida pelo tempo não há remédio!

Parabéns mais uma vez pelo texto!