quarta-feira, 28 de julho de 2010

Em teu chapéu de festa dançarei a última valsa, oh vida!
Anfitriã de minhas noites de vigílias e viagens tantas,
e também dos dias frios de um sempre inverno.
De um sempre o mesmo e o querer coisas que não se sabe;
De meus dias molhados do suor e do calor das gentes,
Das madrugadas quentes ao ritmo do mesmo ardor.

Riso encharcado do querer bem e seus arrepios,
Mão estendida ao acaso ao encontro de outra solidão,
Pés pedindo passagem em terras sem trilhas,
Suspiro derradeiro, gargalhada irreverente,
Solar de adeuses que recusam a partida.

Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes

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