sexta-feira, 30 de abril de 2010

Caminho os céus de meu sertão
atapetado de estrelas que toco
com a ponta de dedos eretos,
insones de desejos e lembranças,
dos passos que ficaram para trás,
das constelações que ainda não visitei.

Aqui tenho vidas ad infinitum,
aconchego de peito amigo,
calor, luz, abrigo
e o ecos dos meus gritos.
Os gritados quando pisava os chãos de outrora,
feitos de terra vermelha,
do vazio ofusco das gentes,
do transbordar de minha inquietude.

Láctea a via que me conduz
muito acima das nuvens que se dissiparam
nas asas da centésima fuga;
anfitriã de co-irmãs estreladas,
circundadas de tantas,
ainda desconhecidas dos homens
que se fizeram coisas.

Caminho trilhas de estrelas,
lúdico universo de sonhos desfeitos,
arremessado anos-luz
no colo iluminado da atrevida Dalva,
- astro-guia -
cantada em tons de paixão
nas cordas do violeiro.

Moisés Augusto Gonçalves,in Depois de muitas luas
Cordisburgo, 19-04-2010

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