segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Clamor: um 'Sinai' de esperança...

Invasão de Gaza

Duas e quarenta e seis,
madrugada e perguntas.
Bebo minhas insônias,
dosadas de cana da terra esmagada,
flor das gerais, sentimento do mundo.
Aos sons do coral dos vizinhos, os sapos,
e o canto lúgubre, que ecoa de Gaza.
A suástica estrelada tremula,
arrebentando paredes e gentes.
Gelo seco de fósforo branco, fumaça,
pré-e- é, anúncio de extermínios.
Alfa e ômega de cerco sem saídas:
mar, tomado por navios-de-guerra,
cascatas de mísseis;
ar, ornado de bombas,
satélites-espiões e outras barbaridades.
Vidas encurraladas,
corredores da morte,
utopia sufocada no gargalo,
campo de concentração a céu aberto.
Sinfonia de dores, gritos, explosões,
estupidez lúcida de podres poderes,
ganâncias e outras atrocidades.
Esperança soterrada nos túneis de Rafah,
banida no último suspiro de Mohamed, 09 anos,
e um nunca mais.
Se não durmo,
se a Gaza de lá não dorme
- e as Gazas daqui, também -,
se é insônia tamanha dor,
quem pariu o pesadelo real e arrancou de Ismail, 02 anos,
o peito, a mãe e o beijo no amanhã?
Enquanto rabisco meus versos,
engasgo palavras e me perco sem rimas,
alguns poucos contabilizam divisas,
cifras bilionárias manchadas de sangue,
ignorâncias, ódios e outras pragas...

E nem sequer um ‘Sinai’ de esperança...!

Moisés Augusto Cordisburgo, 18-01-09

3 comentários:

margareth franklin disse...

Que lindo, Moisés
ainda bem que os poetas não dormem e vigiam o mundo, construindo esperanças.
Valeu demais....

Stênio disse...

acho que insônia com cachaça é uma mistura aditivada, hem?

Histórias e Versos disse...

O amigo - está cada vez mais difícil manter. O blog - impossível deixar de ler. O poema é uma verdadeira obra prima. Parabéns, quero aprender a escrever assim, quando crescer.