terça-feira, 21 de junho de 2016



























domingo, 14 de fevereiro de 2016

domingo, 3 de maio de 2015

sábado, 28 de março de 2015

domingo, 31 de agosto de 2014

sábado, 31 de maio de 2014

Uma Historia de Amor e Fúria Completo Dublado

Suculentas

Duas suculentas montam guarda em meu escritório,
vistosas e serenas como só cabe às crianças e às plantas.
De quando em vez, passeiam pela casa
em seus vasos de parafina e pó de pedra;
Sobre dois pés em câmera lenta e mãos de seda e porcelana.

Vasos moldados por mãos de cinco dedos,
uma idéia dançante e algo mais.
O pequeno apartamento tornou-se viveiro de mudas
entoando a valsa das flores.
Jardineiro das horas livres,
estou algemado em suas folhas
e me nutro desta seiva que corre sem cronômetros
em seu caule tenro.

Podium de primores e belezas castas.
Suculentas na cor, na forma,
na seiva, na discrição verde-musgo,
num “não sei que” que me tira dos livros e devolve ao útero.
Cúmplices do verso e do reverso,
sentinelas das paixões que me governam:
o amor que quer amor, o saber que não se sacia,
o pulsar juntos ao ritmo da mesma dor.

Dialogo com meus ids e egosalter cansado de mim.
Com elas, as suculentas, o diálogo é sinfonia de flertes,
sedução do colo amigo,
repouso de pupilas e línguas cansadas.
Alguma coisa de oásis...

Moisés Augusto Gonçalves, in Ruas vazias de gente

domingo, 18 de maio de 2014

Cidadão dos mundos...

I

Carrega no alforje da vida muitas sementes,
páginas em branco no caderno de memórias
- outras tantas rasgadas nas bordas,
outras muitas rasgadas ao meio -,
um pedaço de fruta mordida de véspera,
um catálogo de nomes 
escritos até à primeira letra.
Maiúsculas. Em negrito solo.
De que não se sabe quem.
Fortes! Como cabe aos que partem, 
insistindo em ficar.

Homem de uma nota só e muitos tons,
possuído pela magia célere dos pássaros,
dos amores des(re-)feitos,
das incógnitas do daqui-a-pouco,
da terra pisada com pés de pluma,
ninada no colo com cantos de mãe.

Parto doloroso do quero-mais,
das alegrias de visita breve,
da descoberta mostrando a cabeça,
por detrás da montanha de papel machê.
Encontro marcado aos pés do ipê amarelo;
Tez desnuda,
escaldada pelo sol das tardes que se repetem.
Fardo de muitas labutas e encantamentos!

Penduradas no peito,
medalhas conquistadas no campo de batalha
contra a penúltima fome e suas primas,
as estátuas do medo,
 plantadas na curva da estrada.
Saudades do abraço de não-se-sabe-quando,
mágoas com barba por fazer,
botões em flor,
 aguardando o primeiro raio de sol.


Moisés Augusto Gonçalves, in Fragmentos impertinentes